Elecciones en Bulgaria

Socialistas no poder

Ataka, partido extremista e xenófobo, obtém resultado muito superior a expectativas






A oposição socialista venceu as eleições legislativas de sábado na Bulgária, mas terá de governar em coligação com pelo menos dois outros partidos, de acordo com resultados oficiais anunciados hoje pela Comissão Eleitoral.







Quando estão contados 97 por cento dos escrutínios, o partido socialista búlgaro obtém 31,3 por cento dos votos, à frente do Movimento Nacional Siméon II, de centro-direita, o partido do primeiro-ministro cessante, Siméon de Saxe-Cobourg-Gotha, que recolhe 19,96 por cento.

Ao outro partido do governo cessante, o Movimento para os Direitos e Liberdades, de minoria turca, são creditados 12,14 por cento dos escrutínios.

O Ataka, um partido extremista, xenófobo e racista, obtém 8,24 dos votos, um resultado muito superior às expectativas.

A principal coligação da oposição de direita, Forças Democráticas Unidas, obtém 7,7 por cento, seguida de dois partidos da oposição: Democratas para uma Bulgária Forte, com 6,44 por cento e a União Popular, que recolhe 5,21 por cento dos sufrágios.

Outros pequenos partidos dividem entre si os restantes 8,64 por cento dos votos, de acordo com a Comissão Eleitoral.

Os resultados oficiais definitivos só deverão ser anunciados a partir de quinta-feira.

O presidente do PSB, Serguei Stanichev, declarou sábado à noite que está aberto a governar com "qualquer outro partido democrático" que apoie o seu programa e excluiu uma coligação com o extremista Ataka.

Volen Siderov, presidente do Ataka, afirmou que o país está a ser governado por uma "máfia política", apontando ao executivo cessante práticas como tráfico de estupefacientes e de armas, "enquanto os búlgaros morrem com falta de medicamentos".

O dirigente do Ataka considerou ainda que o país está a ser "pilhado" desde 1997, ano em que foram lançadas as privatizações, e que o comissário europeu Gunther Verheugen está "corrompido".

O Ataka conseguirá eleger pelo menos 20 deputados, sendo a primeira vez na história recente da Bulgária que uma força deste tipo estará representada na Câmara.

Este resultado sem precedentes marca um aumento da xenofobia num país balcânico que, apesar das minorias turca e cigana representar 18 por cento da população (nove por cento cada uma), conseguiu preservar a harmonia entre as suas diferentes comunidades durante e após as guerras étnicas dos anos 1990 na vizinha ex-Jugoslávia.




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